Guia prático
Foto, CPF, RG, estado civil: o que ainda faz sentido no currículo
Foto 3x4, CPF, RG, estado civil, filhos ou não — é um cabeçalho que qualquer pessoa que cresceu no Brasil já preencheu num currículo. O problema é que boa parte disso não ajuda em nada na triagem de hoje, e algumas dessas informações abrem espaço para descarte por motivo que não tem nada a ver com sua qualificação.
A foto
A Jobscan — empresa referência em otimização de currículo para sistemas de triagem — é direta sobre isso: a maioria dos sistemas não lê imagem nenhuma. Uma foto não é texto, então não existe nada ali para o sistema extrair; na melhor das hipóteses, é peso morto no arquivo. O guia da própria Jobscan sobre ATS recomenda evitar "gráficos, imagens, tabelas e colunas, ou elementos de design chamativos" pelo mesmo motivo que se evita uma tabela para organizar cargo e data: o sistema não segue a mesma lógica visual que os olhos seguem.
Fora a leitura automática, tem o lado humano: uma foto é a porta de entrada mais direta para viés inconsciente — idade aparente, raça, peso — antes mesmo de alguém ler uma linha de experiência. Nenhuma vaga séria no Brasil pede foto hoje, e tirar essa informação do currículo não tira nada da sua candidatura.
CPF, RG, estado civil, religião, filhos
O guia de currículo para estagiário do Indeed Brasil resume isso numa frase só: "evite incluir dados pessoais irrelevantes, como número de CPF e RG, religião, estado civil e se tem filhos ou não". Nenhum desses dados diz nada sobre se você sabe fazer o trabalho — e diferente de nome, telefone e e-mail, que servem para alguém te encontrar, esses só servem para alguém te classificar por algo que não deveria pesar na decisão.
Isso vale mesmo em plataformas brasileiras que, em algum momento do processo, pedem CPF ou RG — a política de privacidade da Gupy é clara sobre quando isso acontece: CPF é um dado de cadastro da conta na plataforma, e documentos como RG só entram depois, na etapa de admissão, caso a candidatura seja aprovada. Nada disso precisa estar escrito no corpo do currículo que você anexa. O formulário de cadastro e o arquivo do currículo são coisas diferentes.
Idade e data de nascimento
Segundo o Indeed Brasil, "a idade e a data de nascimento não são dados que devam ser obrigatoriamente informados no currículo". Se decidir mencionar a idade — porque acha que ajuda no seu caso —, a recomendação é escolher uma coisa só: idade ou data de nascimento, nunca as duas, já que juntas elas não adicionam informação nenhuma além da que a idade sozinha já dá. Na dúvida, omitir os dois é a opção mais segura.
O que colocar no lugar
O cabeçalho que realmente precisa aparecer é curto: nome completo, telefone, e-mail e cidade com estado (não precisa de rua, número ou CEP — a menos que a vaga peça endereço completo por algum motivo específico). Isso é o suficiente para qualquer sistema localizar seus dados de contato e para qualquer recrutador saber quem você é e como falar com você. Tudo o que vem depois disso é espaço que poderia estar descrevendo uma experiência ou um resultado — que é o que de fato decide se você avança.
Não sabe se o seu currículo ainda carrega esse tipo de informação de sobra? Envie o arquivo para uma análise gratuita e veja o que vale a pena tirar.
Fontes: Jobscan, "Applicant Tracking Systems: Everything You Need to Know" (jobscan.co); Indeed Brasil, "Exemplo de currículo para estagiário" e "Tem que colocar idade no currículo ou não?" (br.indeed.com); Gupy, Política de Privacidade na Gestão de Pessoas (gupy.io).